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quarta-feira, 22 de abril de 2009PORTINARI - UM ROSTO DO BRASIL
Autoretrato
Cândido Portinari nasceu no dia 29 de Dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo.Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária e desde criança manifestou a sua vocação artística. Aos quinze anos foi para o Rio de Janeiro em busca de uma aprendizagem mais sistemática da pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquista o Prémio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição académica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso das suas gentes, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos a sua formação académica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadémica moderna. O CAFÉ Em 1935 obtém o seu primeiro reconhecimento no estrangeiro, a Segunda Menção Honrosa na Exposição Internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica da sua região de origem.A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro – São Paulo (na hoje “Via Dutra”), em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. O MORRO, de 1936, óleo sobre tela (73x60cm) ![]() Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari faz parte da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país: tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas Getúlio Vargas que, entre outras qualidades, soube cercar-se da nata da intelectualidade brasileira de seu tempo. No final da década de trinta consolida-se a projecção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de New York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de New York adquire a sua tela O MORRO. Em 1940, participa numa mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de New York, com grande sucesso de público, de crítica e mesmo de venda (a menor das preocupações do artista...) Em Dezembro desse ano a Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI, HIS LIFE AND ART, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras. Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite do arquitecto Oscaar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitectónico da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha. RETIRANTES, 1844, óleo sobre tela 180x220cm A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o carácter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se no Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947.Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar a sua primeira exposição em solo europeu, na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d'Honneur. Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires, e nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, de Montevideu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países. A 1ª Missa no Brasil, 1948 O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo Banco Boavista do Brasil.Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prémio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia. A chegada da famíla real portuguesa à Bahía - óleo sobre tela 47x71cm, 1952 Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA À BAHIA e inicia os estudos para os painéis GUERRA E PAZ, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14x10m cada - os maiores pintados por Portinari - encontram-se no hall de entrada dos delegados no edifício-sede da ONU, em Nova York.Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de New York como o melhor pintor do ano. Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contacto com o recém-criado Estado Israelita e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prémio Guggenheim do Brasil . É o único artista brasileiro a participar na EXPOSIÇÃO 50 ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. No mesmo ano ainda, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de New York e, juntamente com outros grandes artistas como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa na Exposição COLECÇÃO DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo de Bellas Artes de Caracas.
Em 1960, com o nascimento da neta Denise, Portinari passa a pintar um quadro dela por mês, contrariando as recomendações médicas.
Vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava, Cândido Portinari morreu em 6 de Fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro, quando preparava uma grande Exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão. "Quando o esquife de Portinari saiu do Ministério, na manhã do dia 8, em carreta do Corpo de Bombeiros, dos edifícios envidraçados, do pátio do Palácio da Educação, das bancas de jornais, dos cafés em súbito silêncio diante da Marcha Fúnebre e do Hino Nacional, voltaram-se para o cortejo milhares de caras irmãs das que aparecem nos Morros, nos Músicos, nos Retirantes de Portinari. Milhares de anônimas criaturas suas disseram adeus ao pintor, miraram uma última vez o claro e sutil feiticeiro que para sempre se aprisionou em losangos de luz e feixes de cor. Como se no espelho apagado da vida do artista ardesse num último lampejo tudo aquilo que refletira durante a vida". (Antônio Callado) Fontes: Museu Casa de Portinari, casadeportinari.com.br --------------------------------------- .:. ---------------------------------------- |
